Lugares Mágicos

À Descoberta de Fafião

   A aldeia mais setentrional de Montalegre oferece a todos os seus visitantes momentos de lazer ímpares. Para além das suas tradições, eventos culturais e também da gastronomia do baixo Barroso, Fafião é acima de tudo uma aldeia inserida dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Num enclave de rios, numa cota acima dos 400 metros a aldeia tem vistas privilegiadas sobe os vales dos rios Cávado e Fafião, uma introdução de luxo para quem vem em busca da riqueza paisagística, da contemplação natural, e perceber uma das regiões mais selvagens do nosso país.

   “Não é uma região muito fácil”, dizem alguns turistas quando nos visitam, e é perceptível a grande dificuldade que há, mesmo para quem deseja percorrer o nosso acessível PR01 de Montalegre, os seus 12,5 quilómetros tornam-se complexos à medida que vai apresentando nas suas passagens subidas e descidas de grande clivagem. Acaba por ser uma terra que para se conhecer é preciso andar, é preciso explorar, e talvez essa seja mesmo a grande essência, pois o foco é, e sempre será o turismo de natureza, o turismo sustentável. Poucos são os espaços à face da estrada para o turismo de massas, que é considerado tóxico, não pela sua presença como é óbvio, mas pelo rastro de sujidade e danos que deixam neste meio.

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Sobre Barjas

   As famosas fechas de Barjas são um conjunto de pequenas cascatas que encontram no final do Rio Arado o seu apogeu. Centenas de turistas todos os anos ocorrem ao local durante o verão para usufruir do que são as cristalinas águas do Parque Nacional. curiosamente Fafião tem também um pouco do seu território no término do rio, dado que este se funde com o Rio Fafião. O poço final integra o próprio rio, e é talvez o local dentro das fechas mais procurado, infelizmente é um dos locais mais perigosos, e a falta de cuidado por parte dos visitantes já gerou mais de uma dezena de mortes nos últimos anos para além dos infindáveis acidentes não mortais.

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Os Segredos bem Guardados

   Fafião compreende um vasto território, tal como vastos rios, apanhando o Conho, o Cávado, o Fafião e o Laço numa dança da água que serpenteia o Parque Nacional. Há de tudo um pouco para quem decide deixar a estrada para trás, mas até para isso é preciso atenção, ou um guia especializado da terra como em qualquer local do Parque Nacional, não é fácil aceder ao paraíso, tem os seus perigos, quedas essencialmente e a eminência das pessoas se perderem. Não obstante, existem locais de uma beleza única que vale a pena pagar para visitar. Há praias de rio escondidas por entre arvoredos, existem lagoas que sustentam essas praias de uma pureza quase indescritível, poços perdidos entre rochas tão fundos e tão límpidos que um salto é quase obrigatório dentro da segurança que deve ser medida consoante a responsabilidade de cada um. A maior parte destes locais são desconhecidos pelo povo, e mesmo nós na Aldeia quase nem nos atrevemos a marca-los ou deferir os seus nomes. São mesmo assim secretos.

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Os Poços Camuflados

   Fafião pretende preservar os seus majestosos pontos quentes, mesmo em épocas onde não reside o calor, há locais que para serem falados têm que ser descobertos por aqueles que vêm à sua procura, nos poucos cafés não se distribui os poços como parte da ementa do café da manhã, e normalmente vemos os turistas serem distribuídos pelos vários locais que toda a gente já sabe que serão vistos sempre como um turismo de massas.  Uns vão para Barjas, outros para as Lagoas do Fafião, por vezes para o Arado, ou para Pincães, e aqueles que pretendam andar uns 9 quilómetros normalmente vão até aos Poços Verdes do Sobroso vulgarmente conhecidas como as Sete Lagoas. No que concerne aos poços e cascatas de todos os rios do Parque Nacional que gerariam deslumbre, vai-se mantendo no segredo dos Deuses, mas elas existem, e podem e devem servir de imagem para exploradores continuarem a sonhar com locais como esses que fazem bem parte de um país cuja beleza é desconhecida pelos seus habitantes.

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Cascata Muralhada

   No interior de um dos Rios, reside umas das mais belas cascatas do Parque Nacional, dentro do território de Fafião, chegar lá não é impossível, mas é de extrema dificuldade, a subida é de rocha em rocha, como é hábito nos cursos de rio, mas aqui estas são diferentes, os graníticos polidos são enormes, aguçados alguns, e o rio afunila de tal maneira que o sol não entra. As paredes que o ladeiam são elas com mais de 300 metros, e à medida que nos vamos aproximando da muralha, o grau de dificuldade vai aumentando, como se não quisesse ser vista. E talvez seja melhor assim, longe da vista, e perto do coração.

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Esmeralda

   Cada vez mais conhecida, esta é considerada uma das pérolas de Fafião. Usado pelos seus residentes no Verão é talvez o poço mais acarinhado pela Aldeia. A sua protecção já começa a ser complexa, mas em conjunto com as empresas de turismo de natureza que operam na nossa terra, tem-se conseguido manter limpo e saudável. Existe uma quantidade de peixe que não deixa margem de dúvida na qualidade das suas águas.

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O Poço de todos os Sonhos

   Num dos locais mais inóspitos, enfragado entre muralhas verticais, eis talvez um dos maiores, se não o maior poço do Parque Nacional, o seu nome é quase proibido de pronunciar, a sua localização é tão complexa sendo de dificuldade extrema o seu acesso, vai valendo a inexistência de qualquer trilho para o aceder, bem como  a impossibilidade de o visualizar de qualquer ponto geográfico. Existe, é uma verdade, mas explorar este colosso é como a descoberta do El Dorado na Amazónia. A sua única entrada por terra é através de um bosque cerrado, há tojo, urze, carqueja em dimensões que providenciam um muro natural, e quem o atravessa sai penalizado bem como com a incerteza do caminho tal é a sua densidade que cega e desnorteia podendo sem puxar o aventureiro para um dos precipícios de 100 metros. Ladeando as zonas de despenhadeiro  aparece um bosque estranho de árvores centenárias autóctones cujas folhagens, troncos e ramos se encontram misturados pelo chão, como se as árvores estivessem todas deitadas, mais uma vez tudo tão denso e húmido que se confirma ser um dos locais de habitat da víbora cornuda, um autêntico berçário da espécie. Não existe saída para baixo pelo rio, a não ser um penhasco com possivelmente 40 metros e para cima a cascata cai na vertical de uns 7 ou 8 metros. O que tem de difícil este local tem de beleza. E os registos fotográficos existentes falam por si.

O Fosso

   Outro local bem escondido, pertença absoluta de Fafião é um fosso aquático cuja beleza faz lembrar as densas regiões de selva equatorial, a sua densidade florestal é única, dizem que as águias fazem morada nos seus elevados baluartes apenas acessíveis através de escalada vertical. Mas como não é zona de fácil acesso, nem de escalada, a fauna e a flora vão repousando e levando a vida longe dos olhares dos transeuntes. Fica o registo de mais um ambiente fafioto que serpenteia ao longo de alguns quilómetros por onde a violência das suas águas no passado rasgaram a pedra e ganharam o seu espaço. A imponência da rocha em Fafião é quase uma imagem de marca, na maioria destes locais o Sol entra apenas por breves instantes, e isso reflecte-se na vegetação densa e húmida mesmo em alturas em que o Verão fustiga com o seu calor.

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Longas Caminhadas

   Para os amantes de percursos pedestres, nas suas transições serra adentro, bastante este poço já não é uma novidade, ladeado por graníticos caiados é uma autêntica piscina no formato de um oito, as suas águas cristalinas são apetecíveis para mergulhos em qualquer altura do ano, é hipnótico para todos os que os visitam.

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Resumindo

   Há ainda o famoso Poço Azul, que para os habitantes da Ermida e mesmo para os de Fafião é conhecido como Poço Verde, partilhado pelas duas regiões dada a sua localização geográfica ser fronteiriça entre Montalegre e Terras do Bouro, é talvez um dos três locais mais cobiçados pelos turistas na época balnear geresiana. É também um local onde a sujidade tem chegado com frequência, porque tristemente a maioria do povo nacional está habituado a deitar tudo para o chão. É algo que o nosso sistema educacional não previu, um assunto que a ser debatido com seriedade nos levaria a mudar a sociedade portuguesa no que diz respeito a educação ambiental. Regular estes espaços não seria tarefa fácil, talvez em locais como a Fecha de Barjas ou o Arado se pudesse decretar como praias fluviais com vigilância diária. Desta forma não haveria lixo, ou haveria punição a quem o fizesse, desta forma talvez reduzisse drasticamente o número de ocorrências de acidentes com gravidade e em alguns casos, já vários até, mortais. Quanto aos nossos poços e fechas, lagoas ou cascatas, são e serão sempre protegidas do turismo de massas, felizmente a maioria deles encontram-se em locais remotos e de acesso muito difícil, o que impossibilita na maioria dos casos uma visita. Fafião tem no entanto um legado ímpar natural, dentro do Parque Nacional. É um orgulho para todos.

 


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